Danilo Ucha morre aos 72 anos em Porto Alegre

Quem escreve desta vez sou eu, Derli Kraemer, que produz esta coluna para o Ucha desde o início. Com muito pesar hoje não tenho a coluna para postar. Não tenho o e-mail dele, para formatar e colocar aqui.

Entrei no Jornal do Comércio para verificar e lá está a nova.

Peço desculpas ao JC, mas transcrevo abaixo a primeira parte da infeliz notícia.

Até um dia, meu amigo.

Faleceu ontem o jornalista, escritor e colunista de economia do Jornal do Comércio Danilo Ucha, aos 72 anos. Ele morreu de infarto enquanto dormia em casa em Porto Alegre. O velório ocorre na Capela C do Cemitério São Miguel e Almas. O sepultamento será hoje, às 11h, no local. Ucha era diabético, hipertenso e já havia passado por cirurgia cardíaca. Ele deixa a mulher, Maria Jair Fontoura Mazzei, com quem vivia desde 1964, cinco filhos, 11 netos e 8 bisnetos.
O colunista tinha mais de 50 anos de profissão e era um dos mais importantes jornalistas do Rio Grande do Sul. Começou a carreira no jornal A Plateia, de Santana do Livramento, cidade onde nasceu, e teve passagens pelo Diário de Notícias, Folha da Tarde, Zero Hora, TVE, Rádio Farroupilha, Rádio Guaíba, O Estado de São Paulo, Gazeta Mercantil, foi correspondente do jornal Correio da Manhã (RJ), além de ter atuado como assessor de comunicação. Também foi um dos fundadores da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (Coojornal) e cobriu a guerra das Malvinas.
Assinava a coluna Painel Econômico no JC há 14 anos, dirigia o Jornal da Noite (com veiculação mensal), que completa 30 anos em agosto. Além disso, mantinha o blog cordeiro&vinho. Ucha conhecia muito a agropecuária e se dedicava à ovinocultura. É autor de vários livros-reportagem, o mais recente a biografia de Zildo De Marchi, lançado em 2015, em parceria com a jornalista Paula Sória.
A direção e colegas do JC lamentam a perda do colega e amigo, que se dedicou à reportagem do jornal e à coluna Painel Econômico com a mesma vivacidade de quando começou na profissão. “Lamentamos muito o falecimento do Danilo Ucha, que além de amigo era um jornalista exemplar, íntegro e muito bem preparado, como demonstrava todos os dias na coluna Painel Econômico e nas relações pessoais e profissionais”, observa o diretor-presidente do JC, Mércio Tumelero. “Era um grande jornalista, autor de uma das páginas mais lidas do JC e respeitado pela classe empresarial”, disse o diretor comercial do JC, Luiz Borges.
Ligado à terra natal, Livramento, Ucha trazia de lá amizades que manteve por toda a vida, caso do também jornalista Elmar Bones, editor do Jornal JÁ, que conheceu ainda no movimento estudantil no início da década de 1960. Ambos vieram juntos a Porto Alegre em 1964, após terem sido destituídos da diretoria da União Santanense de Estudantes Secundários pela ditadura militar. Na Capital, cursaram Jornalismo na então Faculdade de Filosofia da Ufrgs, e trabalharam juntos na Folha da Tarde.
“Ucha era, antes de tudo, um homem bom. Perdemos um grande jornalista”, lamenta Bones, a quem Ucha chamava pelo apelido de “Bicudo”. Entre as principais memórias, Bones ressalta a organização dos Jogos Internacionais da Primavera em Livramento nos anos 1960. Ideia de Ucha, o evento reuniu equipes de escolas de toda a Fronteira, de cidades como Rivera, Tacuarembó e Alegrete. Os 50 anos do evento foram celebrados em 2013, quando ambos foram a Livramento. “Ele era muito ligado ao Uruguai”, relembra. Ucha tinha, inclusive, dupla cidadania.
A boemia também era uma paixão de Ucha. Outro colega de Livramento, Kenny Braga salienta o apreço de Ucha pela música popular brasileira – destacando que o colega foi autor da biografia do violonista Jessé Silva. Kenny lembra que o amigo tinha um imenso coração, sempre disposto a ajudar as pessoas. “O jornalismo gaúcho ficou muito mais pobre, é um dia profundamente triste”, lamenta o amigo. “Ele sempre foi muito ligado aos músicos, à vida noturna. Mesmo nos últimos anos, quando já não frequentava mais”, relembra Bones. A primeira passagem de Ucha pelo JC, aliás, foi no caderno Viver, em 1996, em que escrevia uma coluna sobre a vida noturna da Capital e gastronomia.

 

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